"(...) Dois corpos. (...) não carecem de mais do que da fugidia linguagem dos sussurros, dos beijos que eriçam a pele, dos arquejos que preparam a doce deflagração de um amplexo. O idioma topográfico da epiderme transpirada é o único que importa – o único que é preciso dominar quando não se trafica mais do que o amor.
Que diferença faz se esses dois corpos não são capazes de se entender plenamente utilizando o vago código das palavras? Que importa a gramática de raiz latina quando duas bocas estão demasiado próximas para que qualquer vocábulo possa ser dito?Será esta comunicação sem regras aquilo a que chamam paixão? Será o verdadeiro amor aquele que as palavras não macularam ainda? Sabem estes amantes que todo o tempo do mundo é mais tempo do que uma eternidade? Que ao dizerem “para sempre” não exprimem mais do que a fugacidade de um fósforo que já começou a arder?
(...)"
*Manuel Jorge Marmelo ['O Amor é para os parvos']
Que diferença faz se esses dois corpos não são capazes de se entender plenamente utilizando o vago código das palavras? Que importa a gramática de raiz latina quando duas bocas estão demasiado próximas para que qualquer vocábulo possa ser dito?Será esta comunicação sem regras aquilo a que chamam paixão? Será o verdadeiro amor aquele que as palavras não macularam ainda? Sabem estes amantes que todo o tempo do mundo é mais tempo do que uma eternidade? Que ao dizerem “para sempre” não exprimem mais do que a fugacidade de um fósforo que já começou a arder?
(...)"
*Manuel Jorge Marmelo ['O Amor é para os parvos']