"(...)
- Once in your life, if you are very lucky, you will meet the person who divides it: into the time before you met her... and the time after.
[...]'
Charles "Charlie" Bellow (Jesse Bradford) [My Sassy Girl]
Tínhamos a idade das descobertas. Das ilusões.
Queríamos inventar a vida, queimar as asas ao sol, perder o fôlego ao tocar no fundo do mar. Nós, que já chegarámos à lua e apagáramos estrelas com a ponta dos nossos dedos.
Naquela noite, em Porto Covo, a estrela-cadente a desfazer-se em mil centelhas de luz, no mar: «e é isto que acontece quando eu te beijo, o céu e a terra e o mar entram em combustão». O chão a fugir-me dos pés. Pela primeira vez. Naquela noite, no Furadouro, a estrela-cadente a incendiar o céu. Desfeita. D's-ilusões. O chão a fugir-me dos pés. Pela última vez.
A Geografia trocou-me as voltas e quanto mais mundo tentei pôr entre nós, mais o mundo girava no sentido dos ponteiros de um relógio a conspirar por um tempo certo, um tempo nosso. E eu continuava a voltar para ti. Outras pessoas a passarem pela minha vida, e eu continua a voltar para ti. Portas fechadas, janelas trancadas, e eu continuava a voltar para ti. O teu nome e o meu de costas voltadas, e eu continuava a voltar para ti. Tu eras a minha inevitavilidade cósmica. Tu és.
Sim, eras tu. Foste sempre tu. Sim, sempre tu. A única pessoa capaz de entender(-me) (n)essa "Guitarra De Ilusões" [Copituna D' Oppidana].
E tu, incansável, a caminhar ininterruptamente na minha direcção.
As nossas iniciais e o sinal de mais que escreves com a ponta dos teus dedos nas minhas costas, o meu coração que deixo a bater na palma da tua mão. Não te vou fugir por entre os dedos.
Ligas, combinamos encontrar-nos a meio caminho e, quando chego ao portão, tu estás sentado, dentro do teu carro, à porta de minha casa, à minha espera. E esse teu sorriso posto e aquele piscar de olho travesso.
A tua pontualidade, refrescante. Habituei-me a ser quem chega, invariavelmente, a horas - senão, antes dos demais - e, pouco depois, fiz-me a melhor amiga das longas esperas; habituei-me ao atraso amargo, desleixado, desafectado, egoísta. E então, voltei a ti. Tu, que me dizes que vais chegar a horas. E que chegas, sempre. Que chegaste no tempo certo: soalheiro, a mil degraus do chão, a 4 mãos cheias de poesia. E que me dizes «eu espero por ti», e sorris. Assim, tão simples e tão cheio de paz.
Tu que me seguras a mão (e que é tão mais que dar as mãos!) - com a força da ternura -, enquanto esperas comigo, pela próxima consulta. Que esperas por mim, na mais impaciente sala de espera, até ao fim da consulta. Que guardas as minhas mãos nas tuas, inquietas e emaranhadas em esperança, a dizerem-me «eu espero por ti», no fim da consulta.
Os beijos à chuva, em bicos de pés.
A noite no drive-in, os segredos mimados ao ouvido, a lua mentirosa e a manta de xadrez.
O fim de tarde, na praia de Cortegaça e os barcos em pleno areal.
O Guilherme, ou o Tomás, ou o Ivo. E a nossa filha que inventas por dentro dos meus olhos.
Ter aprendido de ti que a distância geográfica não passa de um número, um carimbo no passaporte, um lugar a visitarmos; que estarmos perto é mais que físico. Ter aprendido contigo a geografia dos afectos, a física dos [nossos] corpos, a química do [teu] beijo.
Ter-te à flor da pele. Arrepiada. Ouvir-te dizer-me «não tenho pressa, conta-me». Arrepiada.
O teu olhar preguiçoso, a tua voz ensonada, tu a acabar de acordar. Adormecer no teu peito.
Os meus pés pequeninos escondidos entre os teus, o teu corpo suado.
Os beijos no sofá, o amor de pele.
O teu vício das minhas massagens, o meu vício dos teus lábios a viajarem pela covinha das minhas costas.
O teu «irresistível» quando me apanhas a ler, de barriga para baixo, na toalha de praia e a balançar os pés no ar.
Escrever-te «te quiero» no lado esquerdo da minha anca - e, assim, o teu nome na minha pele. O único nome do amor, na minha pele. Para sempre.
O meu batôm no espelho da tua casa-de-banho. O cheiro do teu perfume nos meus livros. O teu cabelo desalinhado, depois do duche. Tu rendido ao meu cafuné, no banco de trás do carro. As canções a fazerem - enfim! - sentido.
Sentar-me no teu colo para te roubar um beijo. Pegares-me ao colo, quando reparas que estou descalça e a caminhar em pontas, porque o chão está frio. Parares o carro, entre nenhures e lado nenhum e começarmos a dançar, na rua: volume do rádio e eu nas nuvens.
Acreditares em mim. E teres-me feito compreender que «quando se acredita em alguém como eu acredito em ti é para sempre». E eu acredito que «o mar que cabe nos meus olhos é o que trazes nos teus olhos».
A cor da tua gravata a combinar com a cor do meu vestido, no casamento do J. & C. Os teus calções de verão, chinelos de dedo, óculos de aviador e sabor a praia. Roubar as tuas camisas (e já vão 3!). Refilares do meu pijama. O vestido menta, que tanto gostas de ver em mim. E o osso saliente da minha cintura, mesmo quando eu só sei refilar disso.
As tuas rabanadas de mel e canela, o meu cacau-quente-a-dois. Comermos maracujás a sorvos. As bolachas Oreo, as raspas de coco, as tostas de queijo frito. Comprares um saco de gomas gigante e comeres só uma, «o resto é para ti» - e eu sei que é porque sabes que nisso sou muito, muito gulosa. Comprar-te uma caixa de ovos moles - quentinhos e de Aveiro - e deixar-ta em cima da cama, com uma nota «apeteces-me». O post-it repartido em mil pedaços no teu portátil.
Quero mais Sintra, São Pedro de Moel, Vila Nova de Milfontes, Figueira da Foz, Serra d'Arga. Contigo.
Quero Gerês, Vilarinho das Furnas, Torneros. Porto Covo, Póvoa Dão, Piódão. Juntos.
As tuas aventuras radicais, as minhas danças de salão, as nossas escapadelas. O campismo e as pousadas e os hostéis: os sacos-cama com humor, as camas com amor. Tu a implicares comigo. A minha voz a patrocinar as nossas viagens, bem desafinadamente e a plenos pulmões. A tua gargalhada. A tua gargalhada. A tua gargalhada. Sonora. De bem com a vida. Capaz de arrastar as redes a pulsar mar até ao deserto.
O estafeta e o ramo e eu a corar, o bilhete. Os teus desenhos (tão, tão embaraçosos) no meu Moleskine. As tuas chamadas, sem hora marcada. E quereres que te conte uma coisa boa do meu dia, todos os dias, para acabares a dizer que não me queres longe de ti. Que não queres que passe um dia sem que eu saiba que sentes a minha falta. As saudades de ti que trago ao peito, guardadas num bolso, escritas num guardanapo, gritadas ao vento.
A tua paciência quando fico perdida a andar de balouço, a tua gargalhada.
Torcer por ti, naquela bancada-faz-de-conta-e-quase-a-cair, em tantas das tuas tardes de loucura pelo futebol de praia. Ganhar fins-de-tarde a dois, um cesto e uma bola de basquetebol. E jogar ténis, que eu detesto tremendamente, mas que tu tanto gostas, até desesperar pela minha falta de jeito, com a minha falta de jeito; para, então, ouvir-te dizer «a minha namorada é a trapalhona mai' linda». E a tua gargalhada!
O twister, a piscina e os trambolhões de bicicleta. E as tuas gargalhadas a saberem a céu!!!
Foste o primeiro rapaz que esperou por mim, à porta de minha casa, para irmos sair. O primeiro rapaz com quem dancei, ao som de um slow (tamanha piroseira da nossa adolescência!), meio envergonhados e desajeitados por inteiro – como só o amor simples e fácil sabe ser. O primeiro rapaz que me levou a correr mundo, o entre portas e o além-fronteiras. À minha primeira festa de garagem. Ao meu primeiro concerto. E a outros tantos mais que se lhe seguiram. Foste o primeiro rapaz que esperou por mim, no carro, à porta de minha casa, para irmos sair. Jantares demorados, o balde de pipocas para os dois, as tímidas escapadelas de fim-de-semana e as atrevidas visitas à tua cidade de estudante, que se arrastavam languidamente por mais do que o prometido «é só por um par de dias». Drave, Ana de Aviz, Penhas Douradas. As épicas noites de queima, os cachorros-quentes pela madrugada, o teu«lambareira». O frio amanhecer, na praia, debaixo da capa. O martelinho numa noite de S. João com cheiro a-mar. A tua sweat da O'Neill, uma quase segunda pele.
Saber que há sítios a que não foste mais, sem mim. As riscas nas casas da Costa Nova. O meu refúgio secreto, que só tu conheces. Que só tu podias conhecer. E saber que, agora, voltamos a ir lá. Lá, a todos esses sítios. E a outros tantos mais. De mãos dadas.
As nuvens nos teus pés. As estrelas na tua voz, ao meu ouvido. As coisas sem medida, com cheiro de chuva e sabor de canela. Os chás de hortela-pimenta, a sangria de espumante. Os domingos de manhã. Os relógios de sol que demoram as nossas tardes. A Primavera que nasce no teu olhar, o Verão no teu abraço. As nossas tempestades e nevoeiros. As nossas conversas de escada. Tu entre tachos e alecrim e aquele cheirinho a comida gostosa a lançar charme à sala, a felicidade sentada connosco à mesa. «Sabe mesmo bem!».
Ver-te chegar. Como quem vem para ficar. E ficas.
E o chão a voltar a fugir-me dos pés.
É este o conto de amor-em-construção. Pouco conto, «muito, meu amor».
[...]'
Charles "Charlie" Bellow (Jesse Bradford) [My Sassy Girl]
Tínhamos a idade das descobertas. Das ilusões.
Queríamos inventar a vida, queimar as asas ao sol, perder o fôlego ao tocar no fundo do mar. Nós, que já chegarámos à lua e apagáramos estrelas com a ponta dos nossos dedos.
Naquela noite, em Porto Covo, a estrela-cadente a desfazer-se em mil centelhas de luz, no mar: «e é isto que acontece quando eu te beijo, o céu e a terra e o mar entram em combustão». O chão a fugir-me dos pés. Pela primeira vez. Naquela noite, no Furadouro, a estrela-cadente a incendiar o céu. Desfeita. D's-ilusões. O chão a fugir-me dos pés. Pela última vez.
A Geografia trocou-me as voltas e quanto mais mundo tentei pôr entre nós, mais o mundo girava no sentido dos ponteiros de um relógio a conspirar por um tempo certo, um tempo nosso. E eu continuava a voltar para ti. Outras pessoas a passarem pela minha vida, e eu continua a voltar para ti. Portas fechadas, janelas trancadas, e eu continuava a voltar para ti. O teu nome e o meu de costas voltadas, e eu continuava a voltar para ti. Tu eras a minha inevitavilidade cósmica. Tu és.
Sim, eras tu. Foste sempre tu. Sim, sempre tu. A única pessoa capaz de entender(-me) (n)essa "Guitarra De Ilusões" [Copituna D' Oppidana].
E tu, incansável, a caminhar ininterruptamente na minha direcção.
As nossas iniciais e o sinal de mais que escreves com a ponta dos teus dedos nas minhas costas, o meu coração que deixo a bater na palma da tua mão. Não te vou fugir por entre os dedos.
Ligas, combinamos encontrar-nos a meio caminho e, quando chego ao portão, tu estás sentado, dentro do teu carro, à porta de minha casa, à minha espera. E esse teu sorriso posto e aquele piscar de olho travesso.
A tua pontualidade, refrescante. Habituei-me a ser quem chega, invariavelmente, a horas - senão, antes dos demais - e, pouco depois, fiz-me a melhor amiga das longas esperas; habituei-me ao atraso amargo, desleixado, desafectado, egoísta. E então, voltei a ti. Tu, que me dizes que vais chegar a horas. E que chegas, sempre. Que chegaste no tempo certo: soalheiro, a mil degraus do chão, a 4 mãos cheias de poesia. E que me dizes «eu espero por ti», e sorris. Assim, tão simples e tão cheio de paz.
Tu que me seguras a mão (e que é tão mais que dar as mãos!) - com a força da ternura -, enquanto esperas comigo, pela próxima consulta. Que esperas por mim, na mais impaciente sala de espera, até ao fim da consulta. Que guardas as minhas mãos nas tuas, inquietas e emaranhadas em esperança, a dizerem-me «eu espero por ti», no fim da consulta.
Os beijos à chuva, em bicos de pés.
A noite no drive-in, os segredos mimados ao ouvido, a lua mentirosa e a manta de xadrez.
O fim de tarde, na praia de Cortegaça e os barcos em pleno areal.
O Guilherme, ou o Tomás, ou o Ivo. E a nossa filha que inventas por dentro dos meus olhos.
Ter aprendido de ti que a distância geográfica não passa de um número, um carimbo no passaporte, um lugar a visitarmos; que estarmos perto é mais que físico. Ter aprendido contigo a geografia dos afectos, a física dos [nossos] corpos, a química do [teu] beijo.
Ter-te à flor da pele. Arrepiada. Ouvir-te dizer-me «não tenho pressa, conta-me». Arrepiada.
O teu olhar preguiçoso, a tua voz ensonada, tu a acabar de acordar. Adormecer no teu peito.
Os meus pés pequeninos escondidos entre os teus, o teu corpo suado.
Os beijos no sofá, o amor de pele.
O teu vício das minhas massagens, o meu vício dos teus lábios a viajarem pela covinha das minhas costas.
O teu «irresistível» quando me apanhas a ler, de barriga para baixo, na toalha de praia e a balançar os pés no ar.
Escrever-te «te quiero» no lado esquerdo da minha anca - e, assim, o teu nome na minha pele. O único nome do amor, na minha pele. Para sempre.
O meu batôm no espelho da tua casa-de-banho. O cheiro do teu perfume nos meus livros. O teu cabelo desalinhado, depois do duche. Tu rendido ao meu cafuné, no banco de trás do carro. As canções a fazerem - enfim! - sentido.
Sentar-me no teu colo para te roubar um beijo. Pegares-me ao colo, quando reparas que estou descalça e a caminhar em pontas, porque o chão está frio. Parares o carro, entre nenhures e lado nenhum e começarmos a dançar, na rua: volume do rádio e eu nas nuvens.
Acreditares em mim. E teres-me feito compreender que «quando se acredita em alguém como eu acredito em ti é para sempre». E eu acredito que «o mar que cabe nos meus olhos é o que trazes nos teus olhos».
A cor da tua gravata a combinar com a cor do meu vestido, no casamento do J. & C. Os teus calções de verão, chinelos de dedo, óculos de aviador e sabor a praia. Roubar as tuas camisas (e já vão 3!). Refilares do meu pijama. O vestido menta, que tanto gostas de ver em mim. E o osso saliente da minha cintura, mesmo quando eu só sei refilar disso.
As tuas rabanadas de mel e canela, o meu cacau-quente-a-dois. Comermos maracujás a sorvos. As bolachas Oreo, as raspas de coco, as tostas de queijo frito. Comprares um saco de gomas gigante e comeres só uma, «o resto é para ti» - e eu sei que é porque sabes que nisso sou muito, muito gulosa. Comprar-te uma caixa de ovos moles - quentinhos e de Aveiro - e deixar-ta em cima da cama, com uma nota «apeteces-me». O post-it repartido em mil pedaços no teu portátil.
Quero mais Sintra, São Pedro de Moel, Vila Nova de Milfontes, Figueira da Foz, Serra d'Arga. Contigo.
Quero Gerês, Vilarinho das Furnas, Torneros. Porto Covo, Póvoa Dão, Piódão. Juntos.
As tuas aventuras radicais, as minhas danças de salão, as nossas escapadelas. O campismo e as pousadas e os hostéis: os sacos-cama com humor, as camas com amor. Tu a implicares comigo. A minha voz a patrocinar as nossas viagens, bem desafinadamente e a plenos pulmões. A tua gargalhada. A tua gargalhada. A tua gargalhada. Sonora. De bem com a vida. Capaz de arrastar as redes a pulsar mar até ao deserto.
O estafeta e o ramo e eu a corar, o bilhete. Os teus desenhos (tão, tão embaraçosos) no meu Moleskine. As tuas chamadas, sem hora marcada. E quereres que te conte uma coisa boa do meu dia, todos os dias, para acabares a dizer que não me queres longe de ti. Que não queres que passe um dia sem que eu saiba que sentes a minha falta. As saudades de ti que trago ao peito, guardadas num bolso, escritas num guardanapo, gritadas ao vento.
A tua paciência quando fico perdida a andar de balouço, a tua gargalhada.
Torcer por ti, naquela bancada-faz-de-conta-e-quase-a-cair, em tantas das tuas tardes de loucura pelo futebol de praia. Ganhar fins-de-tarde a dois, um cesto e uma bola de basquetebol. E jogar ténis, que eu detesto tremendamente, mas que tu tanto gostas, até desesperar pela minha falta de jeito, com a minha falta de jeito; para, então, ouvir-te dizer «a minha namorada é a trapalhona mai' linda». E a tua gargalhada!
O twister, a piscina e os trambolhões de bicicleta. E as tuas gargalhadas a saberem a céu!!!
Foste o primeiro rapaz que esperou por mim, à porta de minha casa, para irmos sair. O primeiro rapaz com quem dancei, ao som de um slow (tamanha piroseira da nossa adolescência!), meio envergonhados e desajeitados por inteiro – como só o amor simples e fácil sabe ser. O primeiro rapaz que me levou a correr mundo, o entre portas e o além-fronteiras. À minha primeira festa de garagem. Ao meu primeiro concerto. E a outros tantos mais que se lhe seguiram. Foste o primeiro rapaz que esperou por mim, no carro, à porta de minha casa, para irmos sair. Jantares demorados, o balde de pipocas para os dois, as tímidas escapadelas de fim-de-semana e as atrevidas visitas à tua cidade de estudante, que se arrastavam languidamente por mais do que o prometido «é só por um par de dias». Drave, Ana de Aviz, Penhas Douradas. As épicas noites de queima, os cachorros-quentes pela madrugada, o teu«lambareira». O frio amanhecer, na praia, debaixo da capa. O martelinho numa noite de S. João com cheiro a-mar. A tua sweat da O'Neill, uma quase segunda pele.
Saber que há sítios a que não foste mais, sem mim. As riscas nas casas da Costa Nova. O meu refúgio secreto, que só tu conheces. Que só tu podias conhecer. E saber que, agora, voltamos a ir lá. Lá, a todos esses sítios. E a outros tantos mais. De mãos dadas.
As nuvens nos teus pés. As estrelas na tua voz, ao meu ouvido. As coisas sem medida, com cheiro de chuva e sabor de canela. Os chás de hortela-pimenta, a sangria de espumante. Os domingos de manhã. Os relógios de sol que demoram as nossas tardes. A Primavera que nasce no teu olhar, o Verão no teu abraço. As nossas tempestades e nevoeiros. As nossas conversas de escada. Tu entre tachos e alecrim e aquele cheirinho a comida gostosa a lançar charme à sala, a felicidade sentada connosco à mesa. «Sabe mesmo bem!».
Ver-te chegar. Como quem vem para ficar. E ficas.
E o chão a voltar a fugir-me dos pés.
É este o conto de amor-em-construção. Pouco conto, «muito, meu amor».